Rosimari Gonçalves Martins, da rede municipal de ensino de Florianópolis,  quando não está lecionando pratica bodyboard e stand up paddle


Quando não está em sala de aula, na Escola Básica Municipal de Florianópolis Prefeito Acácio Garibaldi São Thiago, a professora Rosimari Gonçalves Martins, aproveita o mar, surfando, seja na Barra da Lagoa, Praia Mole ou Lagoa da Conceição. Ela é praticante de bodyboard e de stand up paddle.

Com 48 anos, desde os 13 tinha vontade de deslizar nas águas. Às vezes surfava com pranchas emprestadas pelos amigos.  Somente em 1987, quando passou a lecionar é que comprou a crediário  o seu próprio equipamento, uma prancha de bodyboard. A avalista foi a ex-professora do 4°ano primário, Regina Maris de Souza, da qual  mais tarde se tornaria  colega de profissão na Acácio Garibaldi São Thiago.

Rosimari encara a atividade esportiva como um momento de relaxamento e de encontro com ela mesma. “É uma terapia”. Com a prancha pequena, de “meio corpo” já participou de um campeonato. Porém, não gostou. “Percebi que meu negócio é surfar, não competir”.

Praticado com uma prancha grande e com o auxílio de remos para se mover, o stand up padle (SUP) é um esporte novo para a professora Rosimari.  Quando tentou o SUP, há quatro anos, solicitou ao marido que fizesse uma prancha para ela. “Esta modalidade permite ir a lugares que para alguns barcos é impossível”, destaca.

O esposo Maurício Pesce, 46 anos, é formado em educação física. Além de ter uma loja de artigos náuticos e fazer pranchas, é instrutor de surf, windsurf e SUP. O casal tem Marina Martins, 16 anos, que na infância treinava com os pais. Mas,  quando a adolescência chegou, desistiu de estar na praia. Investiu no aprendizado de línguas. É fluente em inglês e espanhol e estuda  alemão, italiano, coreano e francês.



Uma viagem sem sair de casa

Rosimari nasceu em Florianópolis no dia 9 de abril de 1969. Sempre morou na Barra da Lagoa, Leste da Ilha, onde estudou, do 1° ao 8° ano​, na Escola Acácio Garibaldi São Thiago.

No ensino superior, cursou pedagogia na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), e iniciou a carreira profissional na rede municipal de ensino em 1987, como substituta. Em 1992, efetivou-se.

Ser professora foi um desejo de infância.  Adorava olhar os poucos livros ou revistas a que tinha acesso e quando descobriu o mundo da leitura começou a conhecer lugares, pessoas e muitas outras coisas sem sair do lugar. “Tive muitas professoras no meu processo educativo como​ aluna que me influenciaram na construção do meu fazer pedagógico”, observa.

“Gosto muito da minha profissão, de estar com as pessoas e poder propiciar momentos significativos na existência delas. De despertar nas pessoas a curiosidade investigativa sobre as coisas, sobre o mundo”.

A mesma empolgação

Atualmente trabalha com as classes de alfabetização inicial, um processo de descoberta do sistema de escrita alfabético. Mesmo com 30 anos de magistério, a professora diz que pode afirmar que ainda tem a mesma empolgação de planejar e executar as ações pensadas.

Durante 12 anos atuou como diretora do Núcleo de Educação Infantil Municipal (NE) Colônia Z11. “Com a prefeitura e comunidade, conseguimos construir o prédio atual da unidade com uma edificação pensada para atender especificamente crianças de zero a seis anos”.
Das acrobacias no mar, leva para a sala de aula concentração, serenidade e mente leve, ingredientes para um bom ensino-aprendizagem.

Fora das águas ou da escola, é voluntária no Conselho Local de Saúde da Barra da Lagoa.


Ciclista de longa data, o secretário de Educação de Florianópolis observa que o esporte vai além do bem-estar físico. Melhora a autoestima, combate a depressão, a ansiedade e proporciona sono de qualidade, elenca como vantagens Maurício Fernandes Pereira. Para ele, a professora Rosimari é um exemplo a ser seguido, no mar ou em sala de aula. “Qualquer rede de ensino deste país gostaria de ter em seu quadro uma profissional como ela. Para nossa felicidade, Rosimari se encontra conosco”, destaca.

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