Foto/divulgação: SMS
O primeiro caso autóctone de leishmaniose visceral humana de Santa Catarina foi confirmado nesta quarta-feira (16) pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina (Lacen). O paciente, um homem de 53 anos, é morador do Saco dos Limões, em Florianópolis, está internado desde o dia 09 de agosto, no Hospital Universitário, e seu estado é considerado estável. Essa é uma doença infecciosa grave causada pelo parasita Leishmania chagasi, transmitido ao homem através da picada da fêmea do inseto conhecido como ‘mosquito-palha’ que tenha se alimentado do sangue de um animal hospedeiro (reservatório).

Por ser um animal doméstico, estando intimamente próximo ao ser humano, o cão doente funcionando como reservatório da doença. Por isso, os casos nos animais costumam preceder os casos em humanos, funcionando como um evento sentinela.

Em maio deste ano, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Florianópolis fez o alerta à população da capital sobre o aumento dos casos de cães infectados pelo parasita Leishmania chagasi e as áreas de maior incidência na cidade. Segundo o levantamento da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, a leishmaniose visceral canina, que antes se concentrava na região da Lagoa da Conceição, agora está distribuída em 34 bairros da Capital.

No último levantamento realizado, foram detectados 292 casos da doença em cães, a maioria na Lagoa da Conceição, no Canto da Lagoa e na Costa da Lagoa; mas bairros como Rio Tavares, Pantanal, Córrego Grande e Itacorubi também estão na lista. Desde 2010, o CCZ já investigou mais de sete mil cães de forma contínua, em especial nas regiões onde já foi confirmada a presença de cães infectados.

Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC), somente no município de Florianópolis há registro de transmissão ativa (autóctone) de leishmaniose visceral canina. Já em relação a leishmaniose visceral humana, trata-se do primeiro caso de transmissão autóctone da doença no estado. Em 2016, houve registro de dois casos importados de leishmaniose visceral humana, de pessoas que contraíram a doença em outros estados – uma em Minas Gerais e outra no Maranhão.

Em 2015, não houve registro de casos importados da doença. No Brasil, a maioria dos casos registrados de leishmaniose visceral humana está concentrada na região Nordeste. Recentemente, em Porto Alegre (RS), três pessoas morreram em decorrência da doença, que tem alta taxa de letalidade nos casos não tratados.

Atenção aos sintomas

Nas próximas semanas, serão feitas ações de sensibilização junto aos médicos veterinários para que notifiquem os casos suspeitos e confirmados da doença em animais. O trabalho também será realizado junto aos médicos da rede de saúde, que receberão o alerta epidemiológico para ficarem atento aos sintomas em humanos. Pessoas oriundas de regiões de transmissão que apresentam a sintomatologia da doença devem ser submetidas a exame laboratorial e, se confirmado o diagnóstico, o tratamento é iniciado. O tratamento é gratuito e deve ser feito em ambiente hospitalar.

Sintomas em animais:
- emagrecimento;
- enfraquecimento dos pelos;
- apatia;
- descamação ao redor dos olhos, focinho e ponta das orelhas;
- crescimento exagerado das unhas;
- conjuntivite ou outros distúrbios oculares;
- aumento de volume na região abdominal;
- diarreia, hemorragia intestinal e inanição.

Sintomas em humanos:
- febre intermitente com semanas de duração;
- fraqueza;
- perda de apetite;
- emagrecimento;
- anemia;
- palidez;
- aumento do baço e do fígado;
- comprometimento da medula óssea;
- problemas respiratórios;
- diarreia;
- sangramentos na boca e nos intestinos.

Prevenção
Locais com fezes de animais, cascas ou restos de vegetais e folhas podem ser favoráveis para a ocorrência do inseto transmissor da doença. Isto porque o ‘mosquito-palha’, transmissor da leishmaniose, se reproduz em locais sombreados e com acúmulo de matéria orgânica em decomposição.

A melhor forma de prevenção é a limpeza dos terrenos e casas, realizar a poda periódica das árvores, além de evitar a criação de porcos e galinhas em área urbana. O CCZ de Florianópolis oferece serviço de coleta e realização de exame laboratorial para o diagnóstico da leishmaniose visceral canina.

Outra recomendação importante é o uso de roupas adequadas, como boné, camisa de manga comprida, calças e botas, quando permanecer em área de mata ou no entorno, especialmente a partir das 17h, horário de maior atividade do ‘mosquito-palha’. Indica-se, também, a utilização de coleiras repelentes de insetos nos cães.

Via Prefeitura Municipal

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